quarta-feira, 18 de março de 2009

Prazer e dor: ensaios sobre substâncias, parte 2

L.S.D- o que dizer sobre ele senão de cores que explodem e se misturam no ar formando desenhos e semblantes de pessoas mortas a décadas e de algumas que ainda estão por nascer?Alguém é capaz de duvidar que um entardecer, visto pela lente do l.s.d, é sem duvida o crepúsculo mais aterrorizante e belo e imponente e alegre e deslumbrante e colorido e embriagador e sem sentido e com todo o sentido que possa haver em todas as milhas e centímetros dessa terra selvagem e vasta? A razão não pode compreender o l.s.d, as palavras não podem limitar seu mundo ilimitado e indefinido. Nem qualquer tentativa abstrato-sinestésica-pseudo-psicológica pode chegar à milésima parte de um possível entendimento. Poderia me arriscar e dizer que as cores no mundo lisérgico dançam com cheiros e texturas, como cabelos desgrenhados que, ao vento, formam figuras geométricas. E só. talvez seja a molécula responsável por nos ensinar os segredos do mundo e logo nos faz esquecer desse saber. l.s.d é esquecer do supérfulo e se concentrar na essência. É uma breve loucura que termina em riso. Que sempre termina em riso. Como a vida...

terça-feira, 17 de março de 2009

prazer e dor: ensaios sobre substâncias, parte 1

cocaína, tabaco e conversa fora

princesa alva da américa central
planta sagrada para os índios que morreram na cruz
na boca do mais antigo pajé
sendo mascada e dissolvendo amargamente
pôde revelar os segredos mais íntimos do futuro
os delírios mais belos e poéticos

em sua forma cristalizada
assimila-se com flocos de neve de uma terra distante
de um lugar bem mais pro norte
onde o sol se mostra tímido quase sempre
é como se fosse torrões de açucar
de uma realidade celestial.

a cocaína, em resumo,
é como uma amante bela e geniosa
sua beleza, seu modo sexy, sua irreverência
não são menores que sua arrogância
que sua prepotência de quem tem sempre
todos aos seus pés
ela é uma garota bela e malvada
sei que quando me seduz
prova sempre ser irresistível
e eu- insaciável.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

a arte da punheta de pau mole

se no final de nosso amor
a angústia foi imensa
o rancor envenenou um tolo coração
sendo irreversível qualquer situação
se minha boca não deslisa mais sobre seu corpo
e a cada toque meu em seu peito, em sua coxa
um arrepio logo surgia
mesmo que nossas mãos não se encontrem
mesmo que nosso olhar não fale mais nada
apesar do gozo embriagador de outrora
não passar de mera lembrança
quando me lembro de você
o que vem à cabeça são seus risos
nossos risos pueris e imbecis
lembro-me do verde de sua alma
do azul de sua voz
dos seus pés descalços de menina-filha-do-vento
lembro-me de um amor tão profundo e diabólico
que se recusa a virar apenas uma amizade.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

morre aos noventa e tantos anos o velho walter. estarei feliz ou triste? talvez os sentimentos se misturem. é impossível não refletir sobre a vida. acabou para ele. nunca mais verá o por-do-sol, nunca mais comerá um torrão de açucar. penso sobre a efemeridade da vida, sobre a fragilidade do corpo de todos nós. morreu e agora volta lentamente ao seio da mãe terra.. cada pêlo de seu corpo, cada veia, tudo isso vai ser alimento para novas vidas. até o dia em que seus ossos sumirem e o cemitério onde foi enterrado desaparecer junto com a cidade dentro da qual existia. morreu e parece o fim da linha. nenhuma palavra será pronunciada de sua sábia boca. a única coisa que resta é a memória, enquanto existir a memória.

domingo, 18 de janeiro de 2009

de que adianta chorar
se é verão e somos jovens
por que do pranto se
em meu colo repousa o violão
e em meus braços suas cordas
choram melodias tristíssimas
como posso chorar se olho o mar
e ele vai e volta
e que nada existe além do movimento
como posso deixar de sorrir
só porque o amor por ora foi falso
e de que vale o amor
perto da brisa a beira mar
e de que vale o amor perto dessa lua
que fito sozinho tomando uns tragos de rum

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

se você insiste em dizer
que não gosta de homens
me vejo sem saída
esgotado na impossibilidade
natural de ser teu
só me resta virar um travesti
metamorfosear-me em mulher fatal
esperando assim que sacie as ânsias
de seu lesbianismo encantador!

domingo, 7 de dezembro de 2008

, capítulo um

CAPÍTULO 1. É noite. O homem está em uma rua deserta, bem escura e caminha a pé. Ruídos são ouvidos em um beco transversal. Barulhos de lata de lixo. O homem está de preto. Botina de couro, seu andar provoca um som melancólico e persistente. Dá poucos passos até chegar em frente à um estabelecimento chamado “Lino´s Midnigth”. Parecia um bar ou uma boate, sub-solo. Sem hesitar entra no lugar.

Chega ao bar. Todos o percebem. É um desconhecido. Ele causa uma visível apreensão nos “fregueses”. O homem atrás do balcão permanece indiferente, seca um copo com desleixo e tem um palito na boca. O bar está parcialmente vazio. Além do dono, estavam lá três prostitutas, um homem solitário e dois traficantes de crack(aparecerão duas ou três pessoas do banheiro mais tarde).

O homem senta, pede uma dose de uísque e percebe as prostitutas. Ele tem aproximadamente 30 anos. Pouco se sabe sobre seu passado, mas seu presente será esclarecido mais adiante. Não trabalha em nenhum lugar. Parece, à primeira vista, que tenha feito algum curso antes de se tornar um viajante. Não tem vínculos. Vive sabe-se lá como para se manter . não possui qualquer tipo de receio moral. É valente. Robusto. Violento. Só que sua violência tem um toque de delicadeza, seus crimes são como poemas. Ele era guiado por uma espécie de tábua de valores a serem seguidos. Ei-la:

Artigo primeiro: ser um espírito livre, pensar por si.

Artigo segundo: ter objetivos claros a cumprir

Artigo terceiro: usar de violência quando necessário

Artigo quarto: pensar friamente quando cometer um crime.

Artigo quinto. Desconfiar de todos

Artigo sexto: amar a solidão

Artigo sétimo: deitar apenas com prostitutas.

Existem mais outros artigos que serão esclarecidos na medida que a estória se desenrolar. Dessa última máxima resultou o interesse nas prostitutas. Chegou no bar afim de molhar a garganta com álcool, fumar, talvez apostar com alguém na sinuca ou conseguir uma boceta na qual depositar toda sua fúria e coragem. Apesar de ser um rebelde, transgressor, tinha lá sua ética.

Artigo primeiro de seu código de ética: nunca estuprar uma mulher

Artigo segundo: nunca matar uma criança menor de doze anos.

Artigo terceiro. Cobiçar a mulher alheia quando necessário ou conveniente.

Artigo quarto. Roubar não é necessariamente um crime.

Artigo quinto: evitar matar pelas costas

Artigo sexto: nunca fugir de um duelo:

Artigo sétimo: nunca trapacear no poker e punir com a vida quem for pego no ato.

Artigo oitavo e último: todas as clausulas acima podem ser anuladas.

Eis a sua ética.

Olhou para as três sentadas. Tomou seu último gole, foi ao junkebox e colocou um blues. Se aproximou da mesa das moças. Restavam em cima de um espelho três carreiras grandes de pó. Havia um cinzeiro cheio de guimbas sujas de batom. As putas eram bem decadentes, embora todas fossem bonitas. Uma era uma preta bem servida de carne, seus lábios eram fartos assim como os de sua boceta, seu clitóris mais parecia uma pica atrofiada e seus olhos eram negros. A outra era magra, de baixa estatura, branca cabelos lisos e pretos, uma estética meio punk, eu diria. A terceira era oriental.

Seu espírito estava de tal forma extravagante. Jovial. Estava transbordante. Não dava mais para conter seu ímpeto. Queria ir pra cama com as três. Sentou à mesa, propôs isso, foi aceito. Tinha umas notas na carteira. Elas sabiam que o sexo daquele homem seria inovador e potente. Seu pau era grande e já havia comido três mulheres em situações passadas e sempre obtivera bons resultados. Fez seu ritual de sempre, jogou as três na cama, pressionou contra a parede uma que ficou um pouco nervosa com sua atividade intempestiva. Gostava de ver uma mulher de quatro. Gostava da submissão feminina. Apreciava, sobretudo, aquelas mulheres que sabiam como ser submissas. Ao olhar elas de quatro penetrava-lhes sem ver seus rostos, mas sabia que estavam curtindo. Tinha costume de rasgar as calcinhas, bater na bunda e quando encontrava a mulher certa batia em sua cara com um força média para deixar as marcas de seus grossos dedos. Comeu as três piranhas durante umas duas horas e meia. Até que se cansou e fez com que duas delas fossem embora. A negra e a oriental foram-se. Sobrou a branquinha meio magricela, mas certamente com um sex apeal. Dormiram juntos, abraçados, logo ele que só se deitava com putas. Algo no cheiro daquela CADELA-CHUPADORA-DE-PICA o deixou meio fraco, meio bobo e feliz. Nosso herói pensou em acordar mais cedo e sair sem deixar pistas. Entretanto, quando se levantou a puta já estava acordada, de banho tomado e ainda comprou um maço de cigarro para ele. Confesso que percebi uma certa angústia em nosso personagem pelo fato da mulher ter adivinhado que ele gostava de fumar um cigarro logo depois que acordava, antes mesmo de comer alguma coisa ou beber água. Era inevitável ter que lidar com essa mulher durante mais algumas horas., embora isso não representasse nenhum incômodo. Pela manhã, seu apetite sexual era forte. Aquela garota cujo nome era Julia parecia forte demais, era viciada em crack, mas sua força era evidente. Suas delicadas olheiras e sua magreza podem ser relacionados à sua escravidão ao crack. Como sabemos, um senhor severo e com falsas promessas. Acendeu um cigarro e aceitou o café da então Julia. Perguntou sua idade: 17. Ele tinha na verdade 34. Achou belo e catastrófico ver uma menina tão jovem viciada. Sua bunda não era grande, nem seus seios, tinha uma barriga delicada, algumas tatuagens um pouco violentas para uma dama. Ela sentou bem a sua frente, estava pelada, não tinha vergonha, também fumava um cigarro. Cruzou as pernas vagarosamente e ele acompanhou a sublime dança de seus pentelhos.

Início do diálogo e fim do primeiro capítulo.

- você foge de alguém, alguma coisa?

- eu apenas procuro coisas, respondeu ele.

- não tem medo dessa vida?

- o medo é o egoísmo da vida.

- não pensa em se acalmar, aposentar?

- aposentar de quê? Eu não trabalho..

- então como vive?

- digamos que eu aproveito bem as oportunidades que a vida oferece.(roubo de mendigos e miseráveis, às vezes seqüestro pessoas importantes, todos me conhecem, por isso vivo em fuga. Tenho caso com algumas senhoras endinheradas que dão qualquer coisa para ter minha companhia. Nos intervalos de nossas fodas conversamos sobre literatura, filosofia e cinema, lógico que elas não entendem nada dessas coisas).

- e você, pergunta se eu fujo, mas vende o pedaço mais sagrado de seu corpo por um preço risível.

- não é pelo dinheiro. Desde pequena sabia que ia ser puta. Sempre usei meu corpo ou um boquete para ganhar algo que as meninas comuns não tinham, como um carro velho aos quinze anos de idade. Gosto de me sentir puta. Gosto dessa relação financeira. Isso me excita. Podia ser uma puta de um homem só, como casar com algum velho cheio da grana. Mas me agrada ser uma puta de vários homens. Assim me sinto livre. Além do mais sou viciada em três substâncias. Cigarro, álcool e crack. O crack me satisfaz melhor que uma pica. Pelo crack eu vivo e por ele hei de fenecer.

- esquece isso de ser puta. Vem comigo nessas aventuras. Você é a pessoa ideal para me acompanhar nessa jornada de subversões e nos meus anseios literários. Além de ser assassino, sou poeta. Vamos nos divertir, você pode me ajudar a ferir os otarios com sua beleza e eu posso te proteger de ameaças. Eu prometo que iremos nos embriagar todos os dias com os melhores vinhos. Esquece isso de ser puta. Seja minha putinha particular. E seja uma louca para me acompanhar nesses dias que podem ser os últimos.

- com toda sua exuberância fica difícil resistir. Agente pode roubar um caminhão e cruzar o país, não seria fantástico?

-