segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sartre e a Liberdade

Viver com a certeza de que deus não existe não é tão fácil como parece. E pior quando pensa-se que mesmo se ele de fato existisse nada disso mudaria a vida humana, livre por sua natureza e condenado a essa liberdade. A caminhada requer uma certa coragem. Entender o homem como desprovido de uma essência, principalmente uma essência boa que anseie por caridade e boas ações. O amor enquanto monogâmico não tem sentido algum, é preciso uma força extra para não acreditar em uma estória convencional de uma paixão de meio século entre pessoas que se amaram durante toda a vida sem nem algum tipo de conflito com o próprio fato de estarem juntas, mesmo porque não existe nada concreto no mundo que obrigue quem que seja a conviver com um alguém específico. Depois da queda do conceito de deus e do próprio ser humano , as esperanças em um amanha feliz se reduzem à pó. A felicidade como é apreendida deve sumir. A felicidade é entendida como conformismo e lassidão. Como conceber uma felicidade sem dor, desespero, tristeza, espera, ansiedade, agitação, sem tédio, por fim???
Diante tais dificuldades em ser um espírito livre, tento me apoiar na idéia de que a morte é um assunto metafísico e só será tratada quando estiver morto. E que, principalmente, quando puder sentir em meu intestino uma célula cancerosa se multiplicando, e sentir de forma pavorosa meu próprio corpo me consumindo e destilando veneno em minhas veias. Quando estiver distraído pensando em uma conta ou em um amor qualquer e no meio de uma viagem de ônibus um acidente acontecer e minhas entranhas serem perfuradas pela lataria. Quando eu puder sentir o cheiro e o calor de meu próprio sangue, Quando, por fim, ver a morte e as coisas do outro mundo, tenho certeza de que, nesse momento, as luzes irão se apagar lentamente. Um silencio irá permanecer por longo período. Pouco a pouco uma letargia calma se apoderará de mim e serei transportado para um cama aquecida por cobertores. Ao fundo, o que antes era silêncio se transformará em uma suave melodia, ainda não decidi se Mozart ou Jimi Hendrix. Só então morrerei sorrindo junto com os vermes psicodélicos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

a história do velho bandido

final dos anos oitenta. Estávamos eu, Marlú e Sérgio em um bar aqui mesmo em Vitória. Pela brevidade imposta pelo relato, pouparei alguns detalhes irrelevantes, mesmo por que isso prestes a ser relatado não chega a ser uma estória. O final não nos diz absolutamente nada, nada de impressionante, nenhuma metáfora que deixará o leitor mais humano ou qualquer outra bobagem intelectual. O relevante é que na época tinha acabado de conhecer marlú na boemia dessa cidade. Ela era uma mulher de meia idade, com seus trinta e poucos anos. Mas era bela, como todos poderiam concordar comigo, caso a vissem naquela noite. Nem sei aonde estará marlú hoje em dia. Deve ser uma velha melancólica assim como eu e talvez ela esteja escrevendo um livro insignificante como esse. Mas aquela era a noite de marlú. Estava deslumbrante com um vestido negro, poucos acessórios dos quais não consigo me lembrar com exatidão. Marlú, como pude comprovar diversas vezes, era econômica nos apetrechos, pouca maquiagem, as vezes passava um leve batom, ou então nem isso. Mas ela não necessitava dessas irrelevâncias, seu cabelo era liso e por isso mesmo ela quase nunca o penteava e ele sempre estava impecável. Sérgio era seu então namorado, ele chegara do rio poucos dias antes para visitá-la. Por enquanto é isso o que posso dizer desse incandescente casal. Já se passava das três da manhã e estávamos todos bêbados e cansados em uma mesa de bar. Aquele bar estava sem sentido, restavam poucas pessoas, o dono do estabelecimento já implorava para que nos mandássemos daquela espelunca. E foi o que fizemos. Tomamos nossa última cerveja e Sérgio levou em sua mão a garrafa de vodka degustada por ele durante nossa estadia. Chegamos à casa de Marlú. Uma casa simples de três cômodos em um bairro meio afastado do bar onde tomamos nossas biritas. Sérgio foi direto para o quarto enquanto Marlú vagarosamente arruma um simples porém confortável colchão para eu “esticar meu epitáfio”. Apesar da bebedeira, Marlú fez tudo com muito capricho. Colocou o colchão em um canto da sala, arrumou um lençol limpo, deu-me um travesseiro e uma coberta pois a noite estava relativamente fria. Fiquei pasmo com aquela situação. Essa mulher é incrível, pensei comigo. Dei graças ao diabo Pois estava a sós com ela e pude admirá-la tranquilamente, enquanto Sérgio fazia não sei o que. Lembro de sua mão, delicada, morena e com esmalte vermelho, fora isso pouco me sobra daquela irrisória noite. Fui deitar-me, tinha muito álcool no sangue para metabolizar, minha cabeça girava no embalo alucinante da embriaguez desmedida. Mal pude pegar no sono e ouvi sons vindo do quarto. Eram gritos de desespero, amor, despedida, tesão, saudade, arte, era a voz da vodka a colocar delírio na boca de ambos. Não fiz nada, apenas fiquei aonde estava e esperei que as coisas se resolvessem sozinhas. Infelizmente, pouco posso reproduzir desse diálogo. Lembro apenas de fragmentos, tenho receio de que minha vida tenha sido até agora um dramático fragmento. Mas deixemos de divagações.
Marlú- O que me deixa confusa, Sérgio, é essa vida que vive. Você diz ser o amor da minha vida, mas nem você, realmente acredita no amor. Eu já disse e posso repetir mil vezes: você é a pessoa mais talentosa que conheço, só que você não faz nada para que isso deixa de ser apenas um talento e se torne realidade. Você tem amigos no rio de janeiro que tocam e coisa e tal e também tem discos gravados por gravadoras etc. e você? O que pode me dizer de concreto de seu futuro enquanto músico, enquanto ser humano. Por mais que eu também goste dessa porralocagem na qual vivemos, sinto falta de estabilidade, preciso de coisas, não tenho um puto no bolso. Você acha que eu estou satisfeita com a situação? EU NÃO AGUENTO MAIS. ESTOU A PONTO DE TER UM SURTO DE LOUCURA. MINHA VIDA ESTÁ UM CAOS, JÁ NÃO AGUENTO ESSA VIZINHAÇA FUXIQUEIRA DO CARALHO. VOCÊ LÁ NA PUTA QUE O PARIU, QUASE NÃO ME DÁ SATISFAÇÃO. NÃO SEI QUEM É VOCÊ NA PORRA DO RIO DE JANEIRO!!
Sergio- calma ai marlu, porra, assim você me deixa puto. Eu dou meu sangue para ser alguém, para conseguir gravar meu disco, tento falar com pessoas, você acha que eu aqui enfurnado em Vitória vou conseguir alguma coisa? Eu já te disse, mas você parece que não entende, que é burra, porra, estou numa fase ótima, tenho já umas sete músicas prontas e arranjadas para o possível próximo LP. Se chamará cruel. Assim como nosso amor, assim como esse porre que nos acomete e nos obriga a essa discussão inútil.
Marlú- fase boa porra nenhuma, você só sabe é beber, olha como está magro, parece que não come, daqui uns dias pega uma gripe e morre, assim, do nada, de tão frágil que está. Talvez ai você iria coroar essa vidinha de merda que leva desde que nos conhecemos.
Sérgio. Sua piranha de uma merda, só não te meto a mão na cara pois não quero ver confusão para o meu lado. Estou pouco me fudendo para suas reclamaçõezinhas. Não posso acreditar nisso, me meto numa porra de um ônibus e o que eu ganho? Só reclamação. PUTA DESVAIRADA, QUE SÓ ME CATIVA POR CAUSA DESSA SUA BUCETA IRRESISTÍVEL. PUTA. MIL VEZES PUTA!
Depois que ouvi essas palavras, fiquei espantado, deslumbrado. Havia tempo que não presenciava uma manifestação tão certa de que a vida é realmente intensa. De que tudo está nos ares, que o sangue tem um gosto de ferrugem embriagador. Continuei, pois, deitado no mesmo lugar. Foi quando a porta subitamente se abriu e eu fechei meus olhos. Quando os abri, pude ver quem era. Apesar da meia luz pude enxergar Sérgio Sampaio com uma garrafa de orloff na mão tendo muita dificuldade em se manter de pé, escorado no corrimão de uma escada. Veio ter comigo e me chamou. “rapaz, rapaz”, ele disse. “ainda está acordado, pode me ajudar?” eu respondi que sim, que ainda estava acordado e perguntei o que ele queria. Ele apontou para uma agenda telefônica e disse: “pega aquela agenda para mim, liga para o Erasmo que eu quero falar com ele”. Essas foram suas últimas palavras aquele dia, eu olhei a agenda. O Erasmo era Erasmo Carlos, e eu me perguntando que diabos Sérgio Sampaio queria falar com ele aquela hora da madrugada. Não sei, morrerei sem saber, depois de me pedir esse favor, Sérgio começou a apagar, ele já estava bêbado demais, ele estava exausto e pouco a pouco foi escorregando em direção ao chão. Aquela cena foi impressionante. Eu vi o poeta maldito deitar sobre sua magra sombra e sorrir por fim como quem debocha da vida. Nunca me esqueço daquele dia. Ele deitado do meu lado e eu pensando em marlú. Que mulher incrível.

sábado, 15 de maio de 2010

Ménage à trois,

e foi precisamente no dia em que Alessandra me propôs ir para a cama junto com uma amiga sua um dos dias mais felizes da minha vida. É evidente que essa felicidade não tem um motivo razoável para assim se manifestar; mesmo porque, qualquer homem deve presenciar algum dia isso para se por a prova e, em última instância, viver algo. Mas é que nesse dia havia algo diferente em meu espírito. Como seu eu sentisse uma espécie de demônio tomando conta de minhas ações. As palavras não eram propriedade minha, eram talvez um gargalhada de Dionísio, um baforada sagrada do cachimbo de exu. Ela, com sua beleza infinita, com suas cores indecisas, amarelo, rosa, verde, ela era pura cor e perfume. Junto com uma amiga inexperiente, nunca tinha transado com homem algum, apenas tomara algumas lambidas de meninas amigas suas. Éramos então três, o número perfeito, como todos devem saber, o número da harmonia. Eu tinha em minha posse dois corpos suados, lindos, com cheiros fortes, cheiro de sexo, conhaque e suor. Estávamos em um quarto, o meu quarto e aquelas duas pareciam embriagadas e insaciáveis. Me senti bem. Potente. Mas essas cachorras queriam mesmo era me ver fora de combate, exausto, não iria durar muito. O próprio gemido é um estimulante natural para o gozo, e as duas gritavam de puro delírio, eu me segurava. Enquanto penetrava sua amiga, Alessandra ia por trás de mim e beijava meu pescoço, mordia com seus róseos lábios a inconstância amarga de meus arrepios. Teve um momento em que parei, tive que parar, não agüentava tanto prazer, estava entorpecido pela situação, só pensava nelas, elas eram minhas deusas, minhas escravas, sensuais, prontas para me servir. Parei e deixei que elas se divertissem sozinhas. Aquela visão foi a mais terrível e angelical da qual participei. Alessandra e sua amiga, ambas arrastando-se umas nas outras, era uma coisa jovial, inocente, elas se lambiam sem vergonha uma da outra. Eram amigas de infância. Ali tinha perversão e amor. Não agüentei. Me deixei levar pelo gozo eminente. Elas adormeceram abraçadas como dois anjos e eu olhando aquela cena toda. Como todo bom orgasmo, quase cheguei a morrer nesse dia. Que morresse. Que morresse.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

apontamentos sobre o delírio, incompletos

1- Apontamentos loucos que faço. De acordo com a norma geral de conduta dos escritores, me privei completamente. Há meses não risco uma linha. Fui fazer outras coisas. Larguei os livros, o estudo, o intelectual sedentarismo. O artista, em geral, necessita esquecer-se, mudar de rumo, nesse aspecto, principalmente o escritor deve fazê-lo. Por isso, justifico minha ausência. Fui para a rua, para as bebidas. Duas garrafas de vinho por noite durante três meses. Isso que eu chamo de renovação. Agora estou pronto para fazer o que é preciso fazer. Mal comecei um parágrafo e parece que o texto todo já faz parte de meus pensamentos, o livro todo. Um romance. Com poucos personagens. Talvez dois, seria ideal. Mas um terceiro será inevitável.

2- Muitas idéias consomem meus dias. Me perturbam a noite. Fazem-me sair de casa sozinho em busca de ar. Vento. A década tem sido uma das mais quentes deste e do século passado. O verão não foi fácil, embora já tenha, teoricamente, passado. Ainda continua um forno. Foi justamente durante esses dias de calor excessivo que pude iniciar a feitura de alguns apontamentos sobre um possível novo livro. Ou então seja uma breve estória. Ou então nem isso.

3- Escrever e beber. Nada pode ser mais prazeroso. Nenhuma vida mais digna. Nós, escritores, precisamos de paz. Ócio. De fúria, depressão. É preciso estar na lama para escrever algo relevante. Ou, então, que esteja tudo ao contrário disto. Digamos, estabilidade. Nessa perspectiva, a escrita é promissora. Casamento indo como manda o figurino. Notas boas enquanto estudante, emprego decente. Nada de espetacular, mas algo que te garanta alguns trocados como aposentadoria. É ai que se vê que nossa situação, enquanto ente existente-consciente, é muito mais dramática do que gostaríamos de acreditar. Não há saída. Nem salvação. A sociedade tenta nos ensinar como ser feliz. Através de pré-concepções infiltradas em nosso inconsciente, somos obrigados a acreditar que a humanidade tem um sentido. Que nós estamos indo para algum lugar, afinal. Tudo para mascarar a enorme irrelevância da vida. Para ocultar o que, de fato, somos: imersos numa onda de incongruências.

4- Se é que isso pode ser considerado uma introdução, como se eu tivesse, da mesma forma, vontade e habilidade para que esse relato siga uma seqüência cronológica ou mesmo verossímil. Pode começar a ler da última página. Ou feche os olhos e sinta o cheiro das folhas.

5- Demos, pois, prosseguimento ao relato. Devido à um lápis quebrado, continuo, agora, com uma caneta. Então é isso. É preciso viver. Temos que trabalhar. A sociedade nos impõe uma função. Uns escrevem, outros vendem coisas. E o pior é que nós mesmos nos impomos essas tarefas. Ninguém está satisfeito com a mediocridade. Todos querem algo a mais. Algo que nos diferencie da grande massa. Pode ser um talento artístico ou um olho azul. Falo com deboche dessas concepções, mas até eu gostaria de ser alguém. Penso, como todos: “já que nasci mesmo, com um nome e um corpo e fui lançado nesse palco onde só se encenam dramas para os deuses ficarem rindo e bebendo absinto, que me fizessem ao menos uma espécie de semi deus, alguém com um jeito diferente de dizer as coisas. Um escritor deprimido. Talvez seja isso.”

6- Amor-cão do inferno. Essa frase dita por Buk me marcou bastante. Não há sossego, como diria o velho filólogo. O amor quer sempre mais. A sede do mar. Teria sido Schopenhauer? Pode ser... a imagem do pêndulo é uma das mais simples e fascinantes da filosofia. “ os seres humanos estão fadados a, como um pêndulo, transitarem entre a necessidade e o tédio”. Nada é garantido. O amor não pode ser como querem nos ensinar. Não faz sentido o casamento, a fidelidade, a proibição do incesto, a luta contra a pedofilia. São barreiras que tentam construir para que o verdadeiro homem não venha à tona. A razão é uma falácia. Os estóicos, junto com os padres, devem ser queimados. O verdadeiro homem é carnívoro. O verdadeiro homem é guerreiro. Ainda, em sonhos, temos saudade do gosto sangue em nossas bocas. O que é o amor? Dizem que é serenidade, cumplicidade, deixar o outro em liberdade. Para mim, amor é uma paixão que virou preguiça.

7- Nos dias de hoje nada mais justo do que sermos saudáveis. Nem que, para isso, nos tornem deprimidos, loucos ou assassinos. Viver de acordo com a ciência. Comer mil e trezentas calorias, largar o cigarro, tomar um cálice de vinho pela noite. O individuo que inventou esse padrão de vida só pode ser um neurótico. Que se foda o coração. Bom mesmo é perder-se, liberdade. O resto é bobagem. A idéia do consumo me causa agonia. Pequenos objetos. Não precisamos de nada disso. É preciso que haja algum combate. Talvez um terremoto me deixaria mais calmo. Por isso bebo, todas as noites. Com a lua e as putas.

8- Por isso, não há como combater o crack. Quem não sabe seja ele o responsável por uma tomada abrupta de consciência. Fuma-se crack hoje por tédio. Não por falta de informação como querem os homens da t.v. tédio. O mais profundo tédio. Viver não faz sentido. Melhor é encomendar a própria morte com um cachimbo na boca. O rock and roll morreu. A música, de uma maneira geral, caduca. Por isso tenho medo do que está por vir. Tudo está em crise. Crise de identidade, financeira, conjugal, ambiental. Ufa. Mas o petróleo ainda é o combustível. Graças ao deus texano. Será que estamos no apogeu?

9- Uma intuição muito forte me diz o que é o amor. Parece que uma voz nitidamente sopra-me ao ouvidos um dos segredos mais antigos da humanidade. Mas calma. Não irei revelá-lo assim tão fácil. Perderia o emprego e seria queimado em praça pública. Me parece que o amor é multiforme. Com incremento de vários outros afetos, entre eles a loucura, a raiva, a inveja, a dor, o causar a dor. Amor tem que ser tensão. Corda estendida entre a morte e a miséria. Senão vira construção intelectual fadada ao fracasso. Werther, se fosse correspondido, veria que a boceta de sua amada não cheirava lá tão bem. Amor é metafísica. É vontade de eternidade. É essência. Assim como todas as religiões, deve morrer.

10- Nada me tira da cabeça que a senhorita Laura quer meter comigo. Esse pensamento me deixa feliz. Afinal de contas, essa cabrita tem um pedaço de carne que não pode ser desperdiçado. Laura é uma bela boceta. Negra. Não. Quase negra. Com seus pelos fartos, deve ser um furação na cama. Penso sobre isso e fico apreensivo. A vontade que me dá é de pegar o telefone e falar tudo o que gostaria de lhe dizer. Foder com ela durante a noite toda. Entre vinho e maconha. Apesar de ela ser muito delicada ao falar e usar roupas delicadas, não me engana. Senhor Claudio Rodriguez. Sou um pervertido. Não sou muito de me exibir, mas não resisto à posição de voyeur. Há uma semana falei com minha amiga Lourena para poder vê-la fazendo sexo com outra amiga minha. Larissa. Ela(s) aceitou. Eu prometi que me comportaria. Mesmo Lourena tendo namorado, quando bebe vodka, gosta é de perereca. Ela é o macho. Um lindo macho, haja vista.

quarta-feira, 24 de março de 2010

poema em linha curva

medo. acendo a dose. perdeu o sentido
rua, sem por que. nome
morte. como evitar?
nulo. resposta errada.
poesia até quando
livro out door
na cama?
ou isso é rotina?
o bom é aposentar-se
viver é preciso,
mas nem tanto
dois pássaros na mão e um no bolso.
garantia.
maquecousa
até quando?
tem saída?
noventa.
paralisia.
cama, morfina.
anéis
conta conjunta.
morte traição
até mais
poesia?
alô!?
caiu.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

LOVE IS A DOG FROM HELL

amor- cão do inferno, haja vista. ter uma pessoa com quem dividir as misérias cotidianas. Esse papo a muito não me comove. a medida em que envelheço mais solitário e feliz me torno. Em um dia desses, durante uma noite pavorosa de insônia, algumas frases soltas inundavam meus pensamentos. Um momento. Já disseram que o inferno são os outros, mas não. O inferno é uma noite quente sobre a qual não é possível um minuto de sono e anonimato. Mas, falava da noite, sempre a noite, ora pois. Se fosse possível imaginar um semblante com vinte anos a mais de envelhecimento, passaríamos, com certeza, pela existência sossegados. Amor- mesquinha satisfação a dois. Talvez certo mesmo só o Pessoa e sua vergonha diante de dois apaixonados. E ainda não é tudo. Antes fosse. Quanto mais se tem certeza do caminho que se segue e do que realmente se é, menos precisa-se de um amor, um deus ou sei la o que. O primeiro passo é uma estúpida euforia. Nós, seres humanos altamente mannipuláveis, nós somos, em suma, o monstro do comodismo. o mundo não é verdadeiro. Cadeira, cigarros, música. nada ao meu redor me mostra o mundo. Porém, como parte integrante dessa raça destinada ao sofrimento e ao tédio, sigo minha vida com passos nem tão seguros. Sem deus, apenas com drogas ilusórias, manchas de batom pelo o corpo e cheiro de perfume de puta entre meus dedos quando vou dormir bem tarde encolhido entre os lencóis. Esse relato perdeu seu sentido, por isso irei encerrá-lo. Entretanto, antes, como despedida direi algo a mim e a você e a nós. Não pense que minha paixão possa ser eterna. meu mais profundo amor por você não passa de egoísmo e mesquinha satisfação à dois. eu preciso aprender muito. Minha essência por vezes egocêntrica e pervertida me impede de perceber que você não é minha nem eu sou seu, Por isso voe e suma. Você tem uma vida inteira pela frente, precisa meter e me esquecer, assim como eu. Eu sei que é difícil. Algo muito perverso dentro de mim me diz que você é MINHA, mas não há nada mais irreal e contrário ao amor do que essa constatação. POr tanto, vou-me embora. Quero silêncio. Acredito que com bastante música é possível seguir em frente. Sua lembrança soará como um sino longínquo ouvido de um casebre bem longe daqui. espero que me esqueça. Quanto mais breve melhor. Love is a dog from hell

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A linguagem é uma bóia

quem sabe o segredo é não nos prendermos ao conceito inerte, morto. O que quero dizer com isso? irei me apropriar de idéias alheias para poder explicar. uma folha. O que é uma folha? Parte constitutiva das árvores em geral, responsável pelo metabolismo das mesmas etc. Mas só quando assim o digo é que sou humano dotado de linguagem, razão e mediocridade. Mas a folha não pode(deve) ser classificada. Uma folha é um universo particular e inacessível e misterioso. Mas a idade e a depressão e até deus nos tiraram a capacidade de um olhar inocente sobre todas as coisas. Por isso não há mais risos. Amor e sexo são objetos de estudos, estatísticas, parâmetros, conclusões, manuais.Mediocridades. Minha revolta nasce da previsibilidade doentia dos signos. olho uma fila de zumbis e é para lá que devo ir e esperar até a minha vez. O carro foi feito para andar. O ser humano deve dormir pelo menos oito horas por dia. Uma alimentação saudável é fundamental, além de atividades físicas regulares. A felicidade se baseia em um bom emprego e em uma família feliz. Tomo vinhos francêses mas fico triste ao ver um esfomeado qualquer da África. Mudo de canal. Será que me faço compreender? fui claro? por hoje basta.