quarta-feira, 22 de abril de 2009

à meus amigos

São nove e meia da manhã e eu acordo com o barulho de panelas sendo lavadas produzido por minha mulher à cozinha. A noite ontem foi intensa. Aproveitei que minha mulher teve que ir ás pressas visitar uma prima que estava doente e fui arejar os pensamentos em algum bar que vendesse uma cerveja gelada e que fosse reduto de mulheres bonitas e promíscuas. Liguei para um amigo que sabe onde estão as melhores putas da cidade, onde está rolando algum tipo de som e ele também conhece o endereço das drogas mais puras. Não lembro muito do que aconteceu na noite anterior, esse tipo de amnésia causa-me uma certa angústia. Lembro-me de irmos em uma espelunca na qual se apresentava uma banda meio underground formada por uns figurões de meia idade. Chegamos ao lugar aproximadamente ás dez da noite, entretanto, Rogério resolveu me presentear com uma garrafa de vodka alegando que eu a merecia pois meu livro tinha sido mencionado em um jornaleco de uma universidade e, para ele, isso representava o início de minha vida artística e o fim das vacas magras e, de qualquer forma, merecia uma comemoração. Eu, como de costume, adotei uma conduta um pouco menos efusiva com relação a essa entrada no mundo artístico. Bebemos a garrafa antes mesmo de chegar ao bar. Rogério mora em um quarto alugado, não tem muito espaço, apenas uma cama, algumas mudas de roupa espalhadas pelo chão e um toca discos com alguns vinis antigos. Ao som de um bolero, conversamos bastante, pois havia meses que não nos víamos. Ele falou de sua solidão, de alguns projetos de musicas, mostrou-me uma música nova, falou-me, também, de suas dívidas enquanto eu ouvia atenciosamente e esperava a oportunidade para contar sobre as desavenças que estavam acontecendo em meu casamento. Depois desse momento de lucidez, não consigo me lembrar da noite como uma coisa contínua, o que me vêm à cabeça são instantes desconexos entre si, carentes de uma seqüência lógica plausível. O Som parecia bom, as mulheres dançavam e estavam felizes. Algumas eram putas mesmo, outras solteironas de trinta e tantos anos, algumas até intelectuais, da área das artes, jornalistas decadentes, professoras de literatura alcoólatras. Minhas expectativas não se concretizaram por completo. Eu estava tão bêbado que mal podia me comunicar, dancei como um lunático, até ser acometido por um torpor incontrolável e me sentar disforme na primeira cadeira que encontrei... Não foi fácil lembrar do que acabo de relatar; a essa altura, Rose já preparou o café e me chama da cozinha para acordar, ela não suporta me ver dormindo, quando ela acorda faz questão de me acordar logo depois, fator esse responsável por várias de nossas brigas. Enfim resolvo me levantar, ascender um cigarro e tomar um copo de café, afinal de contas marquei com Rogério uma ida à rinha de galo que aconteceria hoje, ao meio dia, com uma premiação alta para o galo que matar mais rápido. Tive que gastar umas meia hora para convencer Rose que me comportaria e voltaria antes do anoitecer, além de trepar com ela por cerca de uma hora para saciar e controlar todo o tesão vulcânico de Rose. Não sei se consegui saciar essa minha cadelinha, mas, de qualquer maneira, bebeu minha porra com um apetite matinal.
Chegamos quase na mesma hora ao local das brigas. Rogério estava animado e eu também, mesmo porque eu ainda não tinha chegado ao estrelato literário e ainda era um fudido e qualquer dinheiro extra me faria deveras bem. Sentei-me, pedi uma cerveja enquanto fazíamos nossas especulações sobre os favoritos, quem iria se enfrentar hoje, coisas do tipo. Pouco a pouco começava a chegar a mesmas pessoas de sempre: Agnaldo, um preto alto, brigão e tratador dos galos de um dos caras mais ricos da cidade. O coronel São Tiago. Este só iria aparecer no momento da sua briga. Chegou um bando de esfarrapados, vendedores de droga para suprir as necessidades dos que freqüentavam essa rinha chamada “Estrela do mar”; alguns viados também iam ao estrela para ganharem trocados e chupar o pau de alguns coroas mais, digamos, modernos..
Tudo caminhava para o começo das brigas, eu e Rogério precisávamos de grana e por isso estávamos concentrados e um pouco nervosos, ambos bebiam cerveja e fumavam cigarro. A primeira briga foi entre o respeitadíssimo Mauro Lacerda, um comerciante bem sucedido no Ramo de rações e outro novato chamado de Luís, um advogado recém formado que não tinha dinheiro no bolso, mas conhecia muitos bandidos e algumas autoridades, sendo relativamente respeitado por isso. Os galos pesavam três quilos e meio cada um, eram grandes, a briga começou e a gritaria aclamava o galo de Mauro Lacerda. Eu e Rogério tomamos uma atitude conservadora e observamos a luta durante uns dois minutos para decidir em quem apostar. O galo de Luís estava melhor na briga e, para nossa sorte, ninguém havia percebido esse fato até então. Mauro tinha diversos seguidores e era admirado por suas vitórias e seus cordões de ouro. O galo de Lacerda batia muito no outro, porém seus golpes não pegavam com a espora, não perfurando o galo do advogado, em contrapartida o ‘pintadinho’, cujo nome Luís me contara depois, proferia menos golpes, mas com uma precisão incrível. Com cinco minutos e meio, o galo do Mauro já estava cego e quase morto. A rinha estava abismada, ninguém acreditou na derrota do galo favorito, eu e Rogério fomos os únicos ganhadores, ganhamos uma bolada legal, cerca duns trezentos e vinte reais cada um. Estava aliviado e satisfeito com essa vitória logo de cara. Convidei Rogério para tomarmos uma e fumar um baseado nos fundos do bar. No caminho, encontro Giullia num vestidinho curto e um andar sedutor. Logo que me viu abriu um largo sorriso e quis me acompanhar para o baseado. Giullia era uma mulata bem servida que já fora presa alguns anos atrás, Mas que estava em liberdade por falta de provas e gostava muito de trepar. Nós somos formados por materiais diferentes, mas quando nos juntamos a combinação é explosiva, nós dois somos compulsivos por viver, então quando transamos tudo flui muito bem e intensamente. Desse modo, sai da rinha em direção ao barraco de Giulia, Ela, como sempre, me provocou até eu não agüentar e comecei, então, a despi-la e masturbar aquele grande bucetão. Já se passava das seis da noite quando me dei conta que estava deitado no leito de Giullia, ela me observava nu enquanto eu dava uma cochilada. Acordei meio tonto e olhei aquela negra pelada pela casa, aquela visão era maravilhosa, pensei estar em um sonho bom, eu era o rei de uma terra qualquer e ela era a rainha daquela porra toda e me fazia gozar com a ponta de uma faca roçando por meu corpo. Eram seis e meia e eu precisava ir embora. Meu livro ainda era um fracasso, meu diploma de literatura me rendia algumas aulas particulares, mas o rendimento não era dos melhores; o governo continuava o mesmo, os escândalos pertinentes em todos os âmbitos possíveis beiravam a comédia. Na rua todos querem comer o cu um do outro, ninguém mais tinha bom senso e a apatia contaminava cada semblante nos pontos de ônibus. O mundo e minha vida estavam um caos, mas eu estava feliz, profundamente feliz.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Summer´s love story, parte três( She want´s to talk)

diz-me que sou uma puta
amo a noite, que sou amarga e depravada
mas nunca poderás me entender
sou um mistério até para mim mesma
tenho uma sede inesgotável
minha juventude é tirana
quer conhecer o mundo
provar do mel e da porra
não poderia ancorar-me em seus braços
nesses braços pragmáticos
de intelectualzinho-fudido
seu pinto por vezes me fez gozar
mas agora isso tudo é irrelevante
posso te dedicar uma siririca
quem sabe, um dia...
afinal, para mim, você terá
sempre o cheiro do sexo.

Summer´s love story, parte dois

Ludmilla estava perdida
era bela como o crepúsculo
mas só amava a noite
Ludmilla tinha quem a amasse
mas rejeitava o amor oferecido
ludmilla tinha caprichos
dúvidas e uma voz suave
ludmilla tinha brilho nos olhos
e era feliz
Ludmilla era cruel e delicada
não sei, absolutamente, o que se passava
na cabeça de ludmilla
Ludmilla, quando mordida,
adocicava a língua
para depois amargar lentamente
a boca depravada
ludmila quando queria
se entregava por inteiro
Ludmila, quando trepava,
suava a testa dum jeito só dela
Ludmilla era só quereres
Ludmilla provou dos homens
e das mulheres
gostou dos dois
Ludmilla era jovem
Ludmilla nunca conheceu o amor...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Summer´s love story

em meus braços foste a puta mais insana
de todos cabarés
na moldura de minha cama
berraste com o fazem as cadelas
cheia de lascívia e devaneios
não existe e nem existirá
um adorador mais fiel
de teu sexo desabrochado
seu líquido mais delicado e misterioso
fiz questão de sorvê-lo
como de posse de um narcótico
como um viciado à busca da última gota
em dias de lua cheia e de calor insuportável
imploravas para que pudesses sentir
o beijo de meu chicote
eu sempre fazia tuas vontades
teus desejos imprevisíveis
teu tesão incontrolável
que ora me desejava, ora me odiava..
ora me queria por perto, outrora um par de peitos
e assim se deu nosso amor
um amor do jeito que tem que ser
forte.intenso.dolorido.bruto.
(e curto).

quarta-feira, 18 de março de 2009

Prazer e dor: ensaios sobre substâncias, parte 2

L.S.D- o que dizer sobre ele senão de cores que explodem e se misturam no ar formando desenhos e semblantes de pessoas mortas a décadas e de algumas que ainda estão por nascer?Alguém é capaz de duvidar que um entardecer, visto pela lente do l.s.d, é sem duvida o crepúsculo mais aterrorizante e belo e imponente e alegre e deslumbrante e colorido e embriagador e sem sentido e com todo o sentido que possa haver em todas as milhas e centímetros dessa terra selvagem e vasta? A razão não pode compreender o l.s.d, as palavras não podem limitar seu mundo ilimitado e indefinido. Nem qualquer tentativa abstrato-sinestésica-pseudo-psicológica pode chegar à milésima parte de um possível entendimento. Poderia me arriscar e dizer que as cores no mundo lisérgico dançam com cheiros e texturas, como cabelos desgrenhados que, ao vento, formam figuras geométricas. E só. talvez seja a molécula responsável por nos ensinar os segredos do mundo e logo nos faz esquecer desse saber. l.s.d é esquecer do supérfulo e se concentrar na essência. É uma breve loucura que termina em riso. Que sempre termina em riso. Como a vida...

terça-feira, 17 de março de 2009

prazer e dor: ensaios sobre substâncias, parte 1

cocaína, tabaco e conversa fora

princesa alva da américa central
planta sagrada para os índios que morreram na cruz
na boca do mais antigo pajé
sendo mascada e dissolvendo amargamente
pôde revelar os segredos mais íntimos do futuro
os delírios mais belos e poéticos

em sua forma cristalizada
assimila-se com flocos de neve de uma terra distante
de um lugar bem mais pro norte
onde o sol se mostra tímido quase sempre
é como se fosse torrões de açucar
de uma realidade celestial.

a cocaína, em resumo,
é como uma amante bela e geniosa
sua beleza, seu modo sexy, sua irreverência
não são menores que sua arrogância
que sua prepotência de quem tem sempre
todos aos seus pés
ela é uma garota bela e malvada
sei que quando me seduz
prova sempre ser irresistível
e eu- insaciável.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

a arte da punheta de pau mole

se no final de nosso amor
a angústia foi imensa
o rancor envenenou um tolo coração
sendo irreversível qualquer situação
se minha boca não deslisa mais sobre seu corpo
e a cada toque meu em seu peito, em sua coxa
um arrepio logo surgia
mesmo que nossas mãos não se encontrem
mesmo que nosso olhar não fale mais nada
apesar do gozo embriagador de outrora
não passar de mera lembrança
quando me lembro de você
o que vem à cabeça são seus risos
nossos risos pueris e imbecis
lembro-me do verde de sua alma
do azul de sua voz
dos seus pés descalços de menina-filha-do-vento
lembro-me de um amor tão profundo e diabólico
que se recusa a virar apenas uma amizade.