domingo, 7 de dezembro de 2008

, capítulo um

CAPÍTULO 1. É noite. O homem está em uma rua deserta, bem escura e caminha a pé. Ruídos são ouvidos em um beco transversal. Barulhos de lata de lixo. O homem está de preto. Botina de couro, seu andar provoca um som melancólico e persistente. Dá poucos passos até chegar em frente à um estabelecimento chamado “Lino´s Midnigth”. Parecia um bar ou uma boate, sub-solo. Sem hesitar entra no lugar.

Chega ao bar. Todos o percebem. É um desconhecido. Ele causa uma visível apreensão nos “fregueses”. O homem atrás do balcão permanece indiferente, seca um copo com desleixo e tem um palito na boca. O bar está parcialmente vazio. Além do dono, estavam lá três prostitutas, um homem solitário e dois traficantes de crack(aparecerão duas ou três pessoas do banheiro mais tarde).

O homem senta, pede uma dose de uísque e percebe as prostitutas. Ele tem aproximadamente 30 anos. Pouco se sabe sobre seu passado, mas seu presente será esclarecido mais adiante. Não trabalha em nenhum lugar. Parece, à primeira vista, que tenha feito algum curso antes de se tornar um viajante. Não tem vínculos. Vive sabe-se lá como para se manter . não possui qualquer tipo de receio moral. É valente. Robusto. Violento. Só que sua violência tem um toque de delicadeza, seus crimes são como poemas. Ele era guiado por uma espécie de tábua de valores a serem seguidos. Ei-la:

Artigo primeiro: ser um espírito livre, pensar por si.

Artigo segundo: ter objetivos claros a cumprir

Artigo terceiro: usar de violência quando necessário

Artigo quarto: pensar friamente quando cometer um crime.

Artigo quinto. Desconfiar de todos

Artigo sexto: amar a solidão

Artigo sétimo: deitar apenas com prostitutas.

Existem mais outros artigos que serão esclarecidos na medida que a estória se desenrolar. Dessa última máxima resultou o interesse nas prostitutas. Chegou no bar afim de molhar a garganta com álcool, fumar, talvez apostar com alguém na sinuca ou conseguir uma boceta na qual depositar toda sua fúria e coragem. Apesar de ser um rebelde, transgressor, tinha lá sua ética.

Artigo primeiro de seu código de ética: nunca estuprar uma mulher

Artigo segundo: nunca matar uma criança menor de doze anos.

Artigo terceiro. Cobiçar a mulher alheia quando necessário ou conveniente.

Artigo quarto. Roubar não é necessariamente um crime.

Artigo quinto: evitar matar pelas costas

Artigo sexto: nunca fugir de um duelo:

Artigo sétimo: nunca trapacear no poker e punir com a vida quem for pego no ato.

Artigo oitavo e último: todas as clausulas acima podem ser anuladas.

Eis a sua ética.

Olhou para as três sentadas. Tomou seu último gole, foi ao junkebox e colocou um blues. Se aproximou da mesa das moças. Restavam em cima de um espelho três carreiras grandes de pó. Havia um cinzeiro cheio de guimbas sujas de batom. As putas eram bem decadentes, embora todas fossem bonitas. Uma era uma preta bem servida de carne, seus lábios eram fartos assim como os de sua boceta, seu clitóris mais parecia uma pica atrofiada e seus olhos eram negros. A outra era magra, de baixa estatura, branca cabelos lisos e pretos, uma estética meio punk, eu diria. A terceira era oriental.

Seu espírito estava de tal forma extravagante. Jovial. Estava transbordante. Não dava mais para conter seu ímpeto. Queria ir pra cama com as três. Sentou à mesa, propôs isso, foi aceito. Tinha umas notas na carteira. Elas sabiam que o sexo daquele homem seria inovador e potente. Seu pau era grande e já havia comido três mulheres em situações passadas e sempre obtivera bons resultados. Fez seu ritual de sempre, jogou as três na cama, pressionou contra a parede uma que ficou um pouco nervosa com sua atividade intempestiva. Gostava de ver uma mulher de quatro. Gostava da submissão feminina. Apreciava, sobretudo, aquelas mulheres que sabiam como ser submissas. Ao olhar elas de quatro penetrava-lhes sem ver seus rostos, mas sabia que estavam curtindo. Tinha costume de rasgar as calcinhas, bater na bunda e quando encontrava a mulher certa batia em sua cara com um força média para deixar as marcas de seus grossos dedos. Comeu as três piranhas durante umas duas horas e meia. Até que se cansou e fez com que duas delas fossem embora. A negra e a oriental foram-se. Sobrou a branquinha meio magricela, mas certamente com um sex apeal. Dormiram juntos, abraçados, logo ele que só se deitava com putas. Algo no cheiro daquela CADELA-CHUPADORA-DE-PICA o deixou meio fraco, meio bobo e feliz. Nosso herói pensou em acordar mais cedo e sair sem deixar pistas. Entretanto, quando se levantou a puta já estava acordada, de banho tomado e ainda comprou um maço de cigarro para ele. Confesso que percebi uma certa angústia em nosso personagem pelo fato da mulher ter adivinhado que ele gostava de fumar um cigarro logo depois que acordava, antes mesmo de comer alguma coisa ou beber água. Era inevitável ter que lidar com essa mulher durante mais algumas horas., embora isso não representasse nenhum incômodo. Pela manhã, seu apetite sexual era forte. Aquela garota cujo nome era Julia parecia forte demais, era viciada em crack, mas sua força era evidente. Suas delicadas olheiras e sua magreza podem ser relacionados à sua escravidão ao crack. Como sabemos, um senhor severo e com falsas promessas. Acendeu um cigarro e aceitou o café da então Julia. Perguntou sua idade: 17. Ele tinha na verdade 34. Achou belo e catastrófico ver uma menina tão jovem viciada. Sua bunda não era grande, nem seus seios, tinha uma barriga delicada, algumas tatuagens um pouco violentas para uma dama. Ela sentou bem a sua frente, estava pelada, não tinha vergonha, também fumava um cigarro. Cruzou as pernas vagarosamente e ele acompanhou a sublime dança de seus pentelhos.

Início do diálogo e fim do primeiro capítulo.

- você foge de alguém, alguma coisa?

- eu apenas procuro coisas, respondeu ele.

- não tem medo dessa vida?

- o medo é o egoísmo da vida.

- não pensa em se acalmar, aposentar?

- aposentar de quê? Eu não trabalho..

- então como vive?

- digamos que eu aproveito bem as oportunidades que a vida oferece.(roubo de mendigos e miseráveis, às vezes seqüestro pessoas importantes, todos me conhecem, por isso vivo em fuga. Tenho caso com algumas senhoras endinheradas que dão qualquer coisa para ter minha companhia. Nos intervalos de nossas fodas conversamos sobre literatura, filosofia e cinema, lógico que elas não entendem nada dessas coisas).

- e você, pergunta se eu fujo, mas vende o pedaço mais sagrado de seu corpo por um preço risível.

- não é pelo dinheiro. Desde pequena sabia que ia ser puta. Sempre usei meu corpo ou um boquete para ganhar algo que as meninas comuns não tinham, como um carro velho aos quinze anos de idade. Gosto de me sentir puta. Gosto dessa relação financeira. Isso me excita. Podia ser uma puta de um homem só, como casar com algum velho cheio da grana. Mas me agrada ser uma puta de vários homens. Assim me sinto livre. Além do mais sou viciada em três substâncias. Cigarro, álcool e crack. O crack me satisfaz melhor que uma pica. Pelo crack eu vivo e por ele hei de fenecer.

- esquece isso de ser puta. Vem comigo nessas aventuras. Você é a pessoa ideal para me acompanhar nessa jornada de subversões e nos meus anseios literários. Além de ser assassino, sou poeta. Vamos nos divertir, você pode me ajudar a ferir os otarios com sua beleza e eu posso te proteger de ameaças. Eu prometo que iremos nos embriagar todos os dias com os melhores vinhos. Esquece isso de ser puta. Seja minha putinha particular. E seja uma louca para me acompanhar nesses dias que podem ser os últimos.

- com toda sua exuberância fica difícil resistir. Agente pode roubar um caminhão e cruzar o país, não seria fantástico?

-

sábado, 29 de novembro de 2008

é quando a lua, soberana, repousa
sua amarelidão no mar calmo e morno
e o ar, ameno, espalha a maresia lambendo
saias e vestidos

em dias como esse
em que bebo conhaque ordinário em copo descartável
o diabo veste uma roupa branca e resolve
brincar com as crianças...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

ser poeta, sobre o poeta e o poetar

e o problema do poeta é não saber
se é de fato um poeta
se é anônimo, seu anonimato o desqualifica
se é aclamado, o povo é o pior juiz
se é imortal, bom, ai já morreu mesmo

ainda tem o problema paradoxal
entre dom divino e liberdade de escolha
eu posso escolher ser poeta?
ou o poeta é escolhido?
a poesia pode ser praticada?
é possível evoluir, poeticamente?
não sei...

pra mim o poeta é aquele que faz
mas desconfia da própria feitura
por precaução,
digo-me um incendiário, baderneiro qualquer
e não poeta.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

escrever, escrever, escrever
já está provado que escrever é melhor que viver
os bons momentos sempre passam
a espectativa nunca é correspondida
a felicidade é um sorrir
que logo voa ao vento
o amor-talvez a âncora do homem
tanto tem de dolorido
quando correspondido
tanto tem de nostálgico
o amor- como é melancólico
"mera troca de saliva"
diante disto,
melhor é subir uma montanha
olhar o pôr-do-sol
e fazer um castelo de versos!

sobre a inspiração

se diz poeta
mas quando senta
olha o branco papel
e nada escreve
um mortal silêncio
o acomanha

não há musa por quem chorar
viver ou não se tornou um detalhe
virou niilista
precisa o homem se tornar imortal?
a aclamação pública é legítima, desejável?
se ele não é feliz
porque então não é triste?
nada parece plausível
escrever é inútil
na melhor hipótese
um exercício capaz de nos fazer
esquecer de nós mesmos
um breve instante impessoal
dez minutos de calmaria
em meio ao furacão.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

angústias do artista

E a arte nada mais é do que a necessidade fisiológica do artista. Música, poesia, pintura, a arte é a paranóia da humanidade. O artista delira, deliria livremente. Procura por todas as partes. Pode não ser especialmente feliz com a existência, mas tem algo a dizer e disso não abre mão. O artista admira sobretudo os mortos, daí vem a solidão e a madrugada fria e silênciosa. O dia, pode-se ver, emana poesia, o fluxo dos ventos lambe a vegetação, pássaros cantam, carros buzinam. Porém, é a noite que oferece a lua como uma mulher despida e, na forma de luz amarelada, espalha essa essência dramatica nos ares da cidade. O verdadeiro artista anda anônimo entre bares, senta, pede uma bebida forte e puxa conversa com quem aparecer. Está meio confuso, não consegue ter certeza de seu potencial, tem um segredo guardado: acabara de escrever uma obra-prima, ninguém percebeu sua mudança, apenas ele mesmo. Vomitou palavras, inventou uma estória, lembrou de outras, modificou outras tantas, mas agora parece que respira aliviado. Depois de ter escrito tudo aquilo provavelmente será perdoado, pelo menos por um instante. Ele não olha para o mundo ao redor, parece que sobrevoa.
você diz que não me ama
mas quando comungamos nossos corpos
num abraço morno e eterno
a vontade que bate é nunca mais
deixar de nos abraçar
você diz que não me ama
mas quando num bar bebemos
perto nos sentamos
e sua cabeça desliza para mim
e me acaricia com o rosto
você diz que não me ama
mas levemente me chupa
e baixo sussurra
você diz que não me ama
mas me olha nos olhos
e sempre procura alguma coisa
você diz que não me ama
mas ficamos em silêncio
e nos entendemos nesse não falar.
você diz que não me ama...
você diz que não me ama...