quinta-feira, 18 de setembro de 2008

canto do amanhecer

na fria noite
um silêncio perturba
a solidão guarda
uma liberdade amarga
fechar os olhos e voar
talvez fosse isso felicidade
como uma águia
branca e implacável
tão cheia de si
que fita o sol
sem queimar os olhos ..

fragmentos

lábio, língua, lascívia
corpo, toque, arranhão
cama, lençóis e o chão
caldo, suor, perfídia

do seu corpo quero escravidão
quando me açoita, convalesço

chicote, couro, cocaína
espelhos, vermelho, batom
pacto, traição, morte
sangue, navalha e o corte

do seu olhar quero essa paixão
quando bebo seu sangue, renasço.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

rimas pobres para namoros mediocres

a vida não te quis em meu braço
o que eu poderia fazer então
implorar, te matar subitamente de paixão?
do presente que te dei nem arrancaste o laço

ás vezes em sonhos vontade
tenho de pedir à satanás
que de volta te traga sem alarde
pois sem isso não viverei em paz

o que me salva são os amigos
que ouvem, aconselham e dão abrigo
das frescas uvas se faz o vinho
e para a tristeza basta estar sozinho

por ti nutri os mais belo sentimentos
tão nobres que não os teria novamente
virgem como tu só no convento
faço sem problema o papel da serpente

mas enfim minha vida continua
eu bêbado olhando a lua
se eu sou a pupila, tu és a íris
e seu nome rima com arco-íris

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

viver é ter uma dor de dente
pensar na possibilidade de ter
engravidado alguém
e ao mesmo tempo
ter que entregar um relatório
amanhã de manhã...
deus pra mim é um entardecer
visto de cima de um morro
que tem perto aqui de casa
ao seu lado ou sozinho
na cabeça apenas brisa
e na mão uma garrafa de bebida
deus pra mim é ler fernando pessoa
e fumar charuto
espiritualidade no meu caso
é ouvir seu silêncio e nada dizer
o que me salva é a certeza de que todos
estão errados e eu talvez também
meus deuses são todos orixás sensualíssimos
debochados e farreiros ..
liberdade é escrever bobagens
e chamar de poesia, por fim.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

pequeno talismã
pedra rubra e incandescente
brilho intenso
fogo de palha
imersa em devaneio
seu silêncio me acalenta
não tenha medo do precipício da paixão
estou bem perto dele e te chamo...
não sei se vem, se vier não demore
eu já pulei e te espero lá...
como eu poderia expressar meu amor por você,
minha pequena junkie??
seu cabelo desgrenhado representa sua liberdade
suas tatuagens, seus piercings, seu alcoolismo
você é caoticamente bela
seus labios ressecados precisam dos meus -úmidos-
para largar de vez a manteiga de cacau
essa sua estória de foder com homens e mulheres
diria até que te amo, mesmo sendo lésbica.