Ao te ver assim deitada, com olhos famintos, incansáveis. Com o cabelo ainda meio úmido pelo suor, suas mãos trêmulas procurando algo ao qual se agarrar. A respiração forte de quem se recupera do orgasmo, olho-te assim e ao ver-te desse jeito tenho calafrios. E não há poesia nem metafísica que seja capaz de me embriagar mais do que seus lábios inda roxos pelo vinho com um doce sabor de conhaque. Mesmo que já tenha chegado ao orgasmo, hoje não cansarei de te satisfazer.sou tentado a me cortar para que com meu sangue morno possas se banhar em um ritual de volúpia e devassidão. Hoje, essa noite, nada mais importa e o mundo todo se resume em seus gemidos. E,cada vez que os ouço, certeza tenho de que é aqui que eu quero ficar e para isso que eu vim. Hoje você é minha. Sem pressa. Na leveza e lentidão de seus suspiros. Até o primeiro raio da manhã estuprar a densa noite. presa em meus braços hoje você é minha. Sem escolha e sem saída. dominada pelo sexo violento, entre dores, arranhões e sangue te mostrarei um pedaço de nosso paraíso. De nosso paraíso artificial. e depois? que se foda o depois. depois conversaremos um pouco enquanto fumo meu último cigarro.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
para aquela que tem a primavera no sorriso
no fluxo dos sentimentos
o amor é como o mar
influenciado pelos ventos
morre e nasce todo momento
se quando acaba, traz consigo
dor,lágrimas e solidão
se redime e nos inspira gratidão
quando um novo amor traz abrigo
que o desejo nunca é satisfeito
que a essência do outro é inacessível
que prova-lo sem dor é impossível
que o amor sempre se mostra imperfeito
todos já sabemos
com lógica, razão e pessimismo
e remédio para o amor é que amemos
cada gota, por inteiro, à beira do abismo.
o amor é como o mar
influenciado pelos ventos
morre e nasce todo momento
se quando acaba, traz consigo
dor,lágrimas e solidão
se redime e nos inspira gratidão
quando um novo amor traz abrigo
que o desejo nunca é satisfeito
que a essência do outro é inacessível
que prova-lo sem dor é impossível
que o amor sempre se mostra imperfeito
todos já sabemos
com lógica, razão e pessimismo
e remédio para o amor é que amemos
cada gota, por inteiro, à beira do abismo.
domingo, 31 de maio de 2009
furo de reportagem( ainda sem revisão)
Acordo às nove e trinta e oito de uma manhosa manhã de março. O céu está nublado, pelo menos assim me parece quando o percebo através da luz do sol entre a fresta da cortina. A noite foi longa, fui submetido a sonhos apavorantes, intermináveis. Sonhos confusos, delírios que só provam a incapacidade humana, estava imerso em uma realidade sobre a qual pouco ou nada sabia; era perseguido por pessoas e coisas mais fortes do que eu. Todo o meu esforço para escapar desses tormentos se mostrava inútil. Enfim acordo e, aparentemente, as coisas melhoram. Ainda estou deitado e olho para o chão. Três garrafas de cerveja vazias e uma pela metade me fazem pensar na noite anterior. Eu, Claudio Rodriguez, me encontro confuso nesse momento. Tenho dado meu sangue para satisfazer as exigências do jornal onde trabalho, mas não consigo dar conta de todas as tarefas incumbidas à mim. O jornal não é grande, vive da boa vontade de alguns anunciantes e do sangue de gente como eu. Sou responsável pela parte policial, entretanto, na prática, ajudo em alguns eventos culturais, ora e outra comento um filme ou livro e também procuro alguns poetas desconhecidos para serem publicados. Mas a uma semana não vou à redação, inventei uma licença médica que poderá custar meu emprego caso eu não apresente um atestado até o fim da semana. Talvez fosse necessário essa minha saída parcial do trabalho, da sociedade, da vida. Moro sozinho, tirei meu telefone do gancho. Parece que, de modo dramático, minha inspiração foi por água a baixo. Sento em frente ao computador e não consigo escrever uma linha que seja. Bebi demais esses dias, fumei igual desesperado. Penso nas coisas que me aconteceram durante a vida, qualquer coisa, um amor mal resolvido, uma cidade visitada anos atrás. Nada parece me render algum assunto publicável, nem uma crônica ou alguns rabiscos, uma resenha. Tento ler algum livro que possa me desviar de mim mesmo e dos pensamentos relacionados ao trabalho. Não funciona. Avanço poucas páginas e um sentimento de aversão contra tudo o que é novo e alheio me toma por completo. Lembro-me de quando decidi estudar jornalismo, foi uma decisão passional, juvenil, sem sentindo algum, até idealista, eu diria. Queria, através das palavras, impor toda a minha revolta contra o que estivesse errado, o que eu julgava não ser a melhor forma de se agir. O tempo passou e as dúvidas foram mais freqüentes do que as certezas, toda a ilusão de um mundo melhor, a projeção maniqueísta de uma sociedade mais digna, justa, se tronaram, para mim, cada vez mais, inverossímeis. Uma vez com a boca no trombone, o que falar então? Saberia eu dizer de que o mundo ou as pessoas precisavam?bastava falar da prostituição infantil? Do tráfico de drogas? Estaria eu sendo original dessa forma? Nesse aspecto, estaria sendo efetivo e pragmático e eficiente? Para mim agora o jornalismo teria que ser tudo menos pragmatismo e manual de instruções para um mundo melhor, se eu pudesse escolher, se eu pudesse decidir como iria executar meu trabalho, optaria por algo ameno, faria uma matéria que não falasse de um fato cotidiano, de um escândalo ou de um assassinato ou de um suicídio. Meu sonho era falar sobre “o” fato, falar de um instante e conseguir, não através das palavras, mas de outro modo, fotografar um instante iluminado. Poético. E que isso fosse jornalismo, e que as pessoas falassem sobre isso nas ruas. Dia desses ouvi dizer que um tiro vale mais do que mil palavras e quase me convenci disso. Quase. Pois, como bom(?) jornalista, ainda acredito nas palavras.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
conto incompleto
Aproximo-me do balcão da cantina da marlucy. O lugar fica afastado dos bairros nobres e dos grandes edifícios. A maioria das pessoas que vivem aqui são trabalhadores de indústrias, da construção civil, de cargos públicos medíocres, como alguns secretários de gabinetes de assuntos sem importância, ou mesmo trabalham miseravelmente como cobradores de ônibus e garis. As mulheres, quando não são putas, são domésticas. Moro aqui a aproximadamente um ano. Consegui alugar um quarto por um preço razoável e me dedico aos estudos e à arte nesse quartinho fétido e obscuro. Confesso que me sinto um pouco alheio a esse ambiente, entretanto, com o passar dos meses, me acostumei bem. Nesse bairro as pessoas falam alto, gritam umas com as outras pela rua, brigam, xingam, ou seja, vivem da forma mais natural possível. Essa intensidade me agradou bastante, nada daquele silêncio de bairros da classe média, de ruas simétricas e árvores podadas. Até a religiosidade se manifesta de uma forma mais criativa. Apesar da predominância do cristianismo católico e de outra praga que se alastra com insuportável rapidez, as igrejas pentecostais, mesmo assim, o povo ainda guarda uma lembrança dos orixás, dos pais de santos, das oferendas, dos artefatos do candomblé, que, para mim, apesar de ser ateu, considero essa manifestação com influências de tribos africanas como sendo mil vezes mais rica e interessante do que a morbidez do cristianismo sem o elemento do sincretismo. Descrições a parte, instalei-me aqui por necessidade, também, de certa forma. O que importa é que hoje é sexta feira. A rua está movimentadíssima, crianças peladas pelas ruas, cachorro quente, churrasco de gato soltando no ar um aroma espetacular, umas mulatas dançando e rindo e fumando maconha. Tudo na santa paz. Compro uma cerveja, olho o movimento da rua, sinto a brisa que vem do mar carregada de maresia desmanchar os vestidos das mulheres. Tudo parece calmo até a chegada de Odette no bar da Marlu. Odette chega e me vê, hesita em vir ter comigo, cumprimenta umas amigas, fala com a dona do bar e até meche com o papagaio de estimação da mesma. Mas ,depois de cinco minutos no mesmo lugar que eu, não se controla e vem falar comigo. Vem com seu mesmo jeito de sempre. Meio hesitante, olhando para varias direções, mas com uma péssima capacidade de dissimular o próprio tesão, embora muito desejasse isso, talvez.
-odette, como vai?-tudo bem, Claudio Rodriguez.
-pode me chamar de Claudio, apenas.
-entendo, sem formalismos..
- e então, Claudinho, e a respeito daquela assunto de que tratamos?
- olha, mulher, não vá achando que eu não quero me mudar com você..
-sei...sei..
- é que meus quadros ainda sofrem resistência por parte da prefeitura e órgãos públicos, mas, ainda sim, tenho esperança de que no final do mês eles, esses putos, vão colocar minha exposição em algum lugar.
-você é um burro mesmo, por que não trabalha em alguma coisa mais normal, ou entra pro tráfico então.
-colé mulé! Ta me achando com cara de um garoto que pode arriscar tudo, pra mim isso é muito baixo, eu tenho pretensões que não se limitam a essa vidinha de merda que agente leva. Ainda, algum dia, as pessoas darão valor ao meu trabalho, poderei te levar, ou quem quer que esteja comigo, para conhecer lugares históricos, poderia, talvez, nos tirar desse buraco. Você,tão bela do jeito que é, poderia me dar filhos lindos, com essa sua morenidão, esse vermelho, esse lábio, esse cheiro, um dia você tomará uísque enquanto eu me divirto jogando poker e fumando charuto, nossos filhos correndo pelo quintal, natal, essas coisinhas, essas besteiras, reunião de pais e essas coisas.
- Claudio, se você me diz essas coisas para me comer hoje, acho bom você economizar sua verborréia, pois vou te dar de qualquer jeito, estou com um tesão incontrolável, estou nervosa, ansiosa, doida para ser jogada na cama com violência, ser despida com rapidez e ter um orgasmo demorado com sua língua pervertida. Além do mais, não tente se enganar, aposto que não agüentaria a vida de casado por dois meses, eu te conheço, Claudinho, seu negócio é essa liberdade escrota que você cultiva, e essa solidão da qual não abre mão. Para mim, você morrerá jovem e sem ninguém com quem contar. SEU NEORÓTICO.
-parte do que diz é verdade, tenho que admitir, mas a liberdade, quando amarga, nem sempre é agradável. O que importa é que eu estou num dos momentos mais criativos de minha vida, sinto um impulso imenso por criar as coisas, estou tão feliz com isso que é até difícil te explicar direito. Estou me sentindo potente. Parece que uma força sobre-humana me domina, agora quase não consigo dormir de tanto pensar nas coisas e inventar concepções artísticas para meu trabalho.
-esqueça o uísque e o charuto,honney, lá em casa eu tenho um garrafão de cinco litros de vinho que agente pode beber durante essa noite, enquanto ouvimos uns daqueles seus cd s.
-então é isso. Marlucy, quanto deu aí?
- Claudio, se você me diz essas coisas para me comer hoje, acho bom você economizar sua verborréia, pois vou te dar de qualquer jeito, estou com um tesão incontrolável, estou nervosa, ansiosa, doida para ser jogada na cama com violência, ser despida com rapidez e ter um orgasmo demorado com sua língua pervertida. Além do mais, não tente se enganar, aposto que não agüentaria a vida de casado por dois meses, eu te conheço, Claudinho, seu negócio é essa liberdade escrota que você cultiva, e essa solidão da qual não abre mão. Para mim, você morrerá jovem e sem ninguém com quem contar. SEU NEORÓTICO.
-parte do que diz é verdade, tenho que admitir, mas a liberdade, quando amarga, nem sempre é agradável. O que importa é que eu estou num dos momentos mais criativos de minha vida, sinto um impulso imenso por criar as coisas, estou tão feliz com isso que é até difícil te explicar direito. Estou me sentindo potente. Parece que uma força sobre-humana me domina, agora quase não consigo dormir de tanto pensar nas coisas e inventar concepções artísticas para meu trabalho.
-esqueça o uísque e o charuto,honney, lá em casa eu tenho um garrafão de cinco litros de vinho que agente pode beber durante essa noite, enquanto ouvimos uns daqueles seus cd s.
-então é isso. Marlucy, quanto deu aí?
segunda-feira, 27 de abril de 2009
angústias do artista número dois
Não resta dúvida de que perdi a esperança na humanidade. As pessoas são patéticas, superficiais, egoístas e maldosas. Eu também sou assim, talvez eu seja o mais cruel, egoísta, patético e desinteressante entre os seres humanos. Deus morreu e quem cuidará de nós? Quem ou o que dará sentido à vida? Seria necessário que tivesse sentido? A vida é extravagante e intensa e ás vezes tenho medo. Me apequeno pois tenho medo, penso no futuro e tenho dúvidas sobre o que fazer. Vivi experiências que deixaram marcas boas e ruins, espero esquecer das coisas desagradáveis em que me envolvi. A realidade se me apresenta caótica, meus sentidos parecem que esqueceram de organizar e padronizar as percepções. Vejo duas pessoas passarem na rua e não consigo afirmar que são dois seres humanos dotados de racionalidade de tal e tal gênero e com tais e quais características, mas não, para mim, são como dois universos absolutamente diferentes entre si. Deus morreu e até me sinto aliviado com isso. Nesse momento estou em frente à um computador e escrevo insânias, escuto Beatles e bebo uma vodka ordinária e o mundo inteiro é essa musica, esse destilado e essa solidão. Essa falta de sentido me deixa confuso, receoso e ao mesmo tempo me deixa descarregado de certas obrigações metafísicas, meus ombros, agora, parecem leves e eu flutuo com minha despreocupação. Posso seguir e viver o resto de minha vida buscando sempre o que me dá prazer e nessa busca ter certeza de que com ela cavarei minha própria cova. Não me resta mais saída, é domingo e o domingo tem esse ar depressivo por excelência, o vazio das ruas, o descanso melancólico dos trabalhadores. Estou desesperado e parece que vou explodir, uma sede inesgotável me acomete, uma sede que nenhuma bebida pode saciar, uma vontade irracional de viver e experenciar fatos e coisas e pessoas e lugares, quero nunca mais dormir, nunca mais enfrentar uma fila que seja ou preencher relatórios de reuniões inacabadas. Quero correr pelo campo até o esgotamento, quero conhecer todas as pessoas, abraçar, amar, procurar, ser achado. Parece que tenho um explosivo em meu peito, minha vida só terá sentido se eu conseguir expressar de alguma forma essa minha revolta, esse desencanto, essa dor, essa raiva, essa alegria que me acomete agora e em todos os momentos de minha vida monótona e conturbada, calma e revoltada. Talvez por isso escrevo esse texto, na tentativa absurda de, com ele, me afirmar enquanto sujeito imerso no mundo, dotado de linguagem, razão e desespero. Que fosse uma música; se eu fosse pintor, desenharia o semblante da mulher que eu amo com tintas bem coloridas, com entonações psicodélicas. Não me importa o que as pessoas vão achar, não me preocupo com o pensamento alheio quando escrevo, estou pouco me fudendo para elogios e críticas, apenas faço o que devo fazer, o que preciso fazer, escrever e esperar que, com isso, possa embriagar minha ânsia e vê-la escorrendo como um rio de águas claras. Espero que esse texto me faça sorrir depois de ter chorado antes de escrevê-lo, espero conversar com meu cachorro e rir de suas histórias.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
à meus amigos
São nove e meia da manhã e eu acordo com o barulho de panelas sendo lavadas produzido por minha mulher à cozinha. A noite ontem foi intensa. Aproveitei que minha mulher teve que ir ás pressas visitar uma prima que estava doente e fui arejar os pensamentos em algum bar que vendesse uma cerveja gelada e que fosse reduto de mulheres bonitas e promíscuas. Liguei para um amigo que sabe onde estão as melhores putas da cidade, onde está rolando algum tipo de som e ele também conhece o endereço das drogas mais puras. Não lembro muito do que aconteceu na noite anterior, esse tipo de amnésia causa-me uma certa angústia. Lembro-me de irmos em uma espelunca na qual se apresentava uma banda meio underground formada por uns figurões de meia idade. Chegamos ao lugar aproximadamente ás dez da noite, entretanto, Rogério resolveu me presentear com uma garrafa de vodka alegando que eu a merecia pois meu livro tinha sido mencionado em um jornaleco de uma universidade e, para ele, isso representava o início de minha vida artística e o fim das vacas magras e, de qualquer forma, merecia uma comemoração. Eu, como de costume, adotei uma conduta um pouco menos efusiva com relação a essa entrada no mundo artístico. Bebemos a garrafa antes mesmo de chegar ao bar. Rogério mora em um quarto alugado, não tem muito espaço, apenas uma cama, algumas mudas de roupa espalhadas pelo chão e um toca discos com alguns vinis antigos. Ao som de um bolero, conversamos bastante, pois havia meses que não nos víamos. Ele falou de sua solidão, de alguns projetos de musicas, mostrou-me uma música nova, falou-me, também, de suas dívidas enquanto eu ouvia atenciosamente e esperava a oportunidade para contar sobre as desavenças que estavam acontecendo em meu casamento. Depois desse momento de lucidez, não consigo me lembrar da noite como uma coisa contínua, o que me vêm à cabeça são instantes desconexos entre si, carentes de uma seqüência lógica plausível. O Som parecia bom, as mulheres dançavam e estavam felizes. Algumas eram putas mesmo, outras solteironas de trinta e tantos anos, algumas até intelectuais, da área das artes, jornalistas decadentes, professoras de literatura alcoólatras. Minhas expectativas não se concretizaram por completo. Eu estava tão bêbado que mal podia me comunicar, dancei como um lunático, até ser acometido por um torpor incontrolável e me sentar disforme na primeira cadeira que encontrei... Não foi fácil lembrar do que acabo de relatar; a essa altura, Rose já preparou o café e me chama da cozinha para acordar, ela não suporta me ver dormindo, quando ela acorda faz questão de me acordar logo depois, fator esse responsável por várias de nossas brigas. Enfim resolvo me levantar, ascender um cigarro e tomar um copo de café, afinal de contas marquei com Rogério uma ida à rinha de galo que aconteceria hoje, ao meio dia, com uma premiação alta para o galo que matar mais rápido. Tive que gastar umas meia hora para convencer Rose que me comportaria e voltaria antes do anoitecer, além de trepar com ela por cerca de uma hora para saciar e controlar todo o tesão vulcânico de Rose. Não sei se consegui saciar essa minha cadelinha, mas, de qualquer maneira, bebeu minha porra com um apetite matinal.
Chegamos quase na mesma hora ao local das brigas. Rogério estava animado e eu também, mesmo porque eu ainda não tinha chegado ao estrelato literário e ainda era um fudido e qualquer dinheiro extra me faria deveras bem. Sentei-me, pedi uma cerveja enquanto fazíamos nossas especulações sobre os favoritos, quem iria se enfrentar hoje, coisas do tipo. Pouco a pouco começava a chegar a mesmas pessoas de sempre: Agnaldo, um preto alto, brigão e tratador dos galos de um dos caras mais ricos da cidade. O coronel São Tiago. Este só iria aparecer no momento da sua briga. Chegou um bando de esfarrapados, vendedores de droga para suprir as necessidades dos que freqüentavam essa rinha chamada “Estrela do mar”; alguns viados também iam ao estrela para ganharem trocados e chupar o pau de alguns coroas mais, digamos, modernos..
Tudo caminhava para o começo das brigas, eu e Rogério precisávamos de grana e por isso estávamos concentrados e um pouco nervosos, ambos bebiam cerveja e fumavam cigarro. A primeira briga foi entre o respeitadíssimo Mauro Lacerda, um comerciante bem sucedido no Ramo de rações e outro novato chamado de Luís, um advogado recém formado que não tinha dinheiro no bolso, mas conhecia muitos bandidos e algumas autoridades, sendo relativamente respeitado por isso. Os galos pesavam três quilos e meio cada um, eram grandes, a briga começou e a gritaria aclamava o galo de Mauro Lacerda. Eu e Rogério tomamos uma atitude conservadora e observamos a luta durante uns dois minutos para decidir em quem apostar. O galo de Luís estava melhor na briga e, para nossa sorte, ninguém havia percebido esse fato até então. Mauro tinha diversos seguidores e era admirado por suas vitórias e seus cordões de ouro. O galo de Lacerda batia muito no outro, porém seus golpes não pegavam com a espora, não perfurando o galo do advogado, em contrapartida o ‘pintadinho’, cujo nome Luís me contara depois, proferia menos golpes, mas com uma precisão incrível. Com cinco minutos e meio, o galo do Mauro já estava cego e quase morto. A rinha estava abismada, ninguém acreditou na derrota do galo favorito, eu e Rogério fomos os únicos ganhadores, ganhamos uma bolada legal, cerca duns trezentos e vinte reais cada um. Estava aliviado e satisfeito com essa vitória logo de cara. Convidei Rogério para tomarmos uma e fumar um baseado nos fundos do bar. No caminho, encontro Giullia num vestidinho curto e um andar sedutor. Logo que me viu abriu um largo sorriso e quis me acompanhar para o baseado. Giullia era uma mulata bem servida que já fora presa alguns anos atrás, Mas que estava em liberdade por falta de provas e gostava muito de trepar. Nós somos formados por materiais diferentes, mas quando nos juntamos a combinação é explosiva, nós dois somos compulsivos por viver, então quando transamos tudo flui muito bem e intensamente. Desse modo, sai da rinha em direção ao barraco de Giulia, Ela, como sempre, me provocou até eu não agüentar e comecei, então, a despi-la e masturbar aquele grande bucetão. Já se passava das seis da noite quando me dei conta que estava deitado no leito de Giullia, ela me observava nu enquanto eu dava uma cochilada. Acordei meio tonto e olhei aquela negra pelada pela casa, aquela visão era maravilhosa, pensei estar em um sonho bom, eu era o rei de uma terra qualquer e ela era a rainha daquela porra toda e me fazia gozar com a ponta de uma faca roçando por meu corpo. Eram seis e meia e eu precisava ir embora. Meu livro ainda era um fracasso, meu diploma de literatura me rendia algumas aulas particulares, mas o rendimento não era dos melhores; o governo continuava o mesmo, os escândalos pertinentes em todos os âmbitos possíveis beiravam a comédia. Na rua todos querem comer o cu um do outro, ninguém mais tinha bom senso e a apatia contaminava cada semblante nos pontos de ônibus. O mundo e minha vida estavam um caos, mas eu estava feliz, profundamente feliz.
Tudo caminhava para o começo das brigas, eu e Rogério precisávamos de grana e por isso estávamos concentrados e um pouco nervosos, ambos bebiam cerveja e fumavam cigarro. A primeira briga foi entre o respeitadíssimo Mauro Lacerda, um comerciante bem sucedido no Ramo de rações e outro novato chamado de Luís, um advogado recém formado que não tinha dinheiro no bolso, mas conhecia muitos bandidos e algumas autoridades, sendo relativamente respeitado por isso. Os galos pesavam três quilos e meio cada um, eram grandes, a briga começou e a gritaria aclamava o galo de Mauro Lacerda. Eu e Rogério tomamos uma atitude conservadora e observamos a luta durante uns dois minutos para decidir em quem apostar. O galo de Luís estava melhor na briga e, para nossa sorte, ninguém havia percebido esse fato até então. Mauro tinha diversos seguidores e era admirado por suas vitórias e seus cordões de ouro. O galo de Lacerda batia muito no outro, porém seus golpes não pegavam com a espora, não perfurando o galo do advogado, em contrapartida o ‘pintadinho’, cujo nome Luís me contara depois, proferia menos golpes, mas com uma precisão incrível. Com cinco minutos e meio, o galo do Mauro já estava cego e quase morto. A rinha estava abismada, ninguém acreditou na derrota do galo favorito, eu e Rogério fomos os únicos ganhadores, ganhamos uma bolada legal, cerca duns trezentos e vinte reais cada um. Estava aliviado e satisfeito com essa vitória logo de cara. Convidei Rogério para tomarmos uma e fumar um baseado nos fundos do bar. No caminho, encontro Giullia num vestidinho curto e um andar sedutor. Logo que me viu abriu um largo sorriso e quis me acompanhar para o baseado. Giullia era uma mulata bem servida que já fora presa alguns anos atrás, Mas que estava em liberdade por falta de provas e gostava muito de trepar. Nós somos formados por materiais diferentes, mas quando nos juntamos a combinação é explosiva, nós dois somos compulsivos por viver, então quando transamos tudo flui muito bem e intensamente. Desse modo, sai da rinha em direção ao barraco de Giulia, Ela, como sempre, me provocou até eu não agüentar e comecei, então, a despi-la e masturbar aquele grande bucetão. Já se passava das seis da noite quando me dei conta que estava deitado no leito de Giullia, ela me observava nu enquanto eu dava uma cochilada. Acordei meio tonto e olhei aquela negra pelada pela casa, aquela visão era maravilhosa, pensei estar em um sonho bom, eu era o rei de uma terra qualquer e ela era a rainha daquela porra toda e me fazia gozar com a ponta de uma faca roçando por meu corpo. Eram seis e meia e eu precisava ir embora. Meu livro ainda era um fracasso, meu diploma de literatura me rendia algumas aulas particulares, mas o rendimento não era dos melhores; o governo continuava o mesmo, os escândalos pertinentes em todos os âmbitos possíveis beiravam a comédia. Na rua todos querem comer o cu um do outro, ninguém mais tinha bom senso e a apatia contaminava cada semblante nos pontos de ônibus. O mundo e minha vida estavam um caos, mas eu estava feliz, profundamente feliz.
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